Terça, 22 de Setembro de 2020 - 10:00

Carreiras UniFTC: A profissão de médico cientista no cenário atual

por Bruno de Bezerril Andrande

Carreiras UniFTC: A profissão de médico cientista no cenário atual
Foto: Fiocruz

A pandemia da Covid-19 trouxe grandes desafios para a Medicina e para a Ciência. Com uma acelerada disseminação da infeção pelo coronavírus, responsável pela pandemia, houve estabelecimento de uma demanda sem precedentes na história moderna da humanidade para geração de conhecimento sobre aspectos fundamentais associados ao controle da situação.

Algumas perguntas de grande relevância seriam: Qual seria a melhor ação a ser tomada para diminuir drasticamente a disseminação do coronavírus? Como melhor identificar pessoas que possuem maior suscetibilidade para desenvolver doença grave associada à Covid-19? Qual seria o tratamento mais eficaz, caso exista um? Como produzir uma vacina eficaz em tempo para ajudar as diferentes populações? Estas são apenas algumas das grandes questões relacionadas à nossa situação cotidiana atual. Para responder tais perguntas, é necessário um acúmulo de conhecimento interdisciplinar. Isto quer dizer que especialistas de várias áreas do conhecimento devem trabalhar juntos para que possamos ter uma ideia melhor de como responder adequadamente estas e outras questões relevantes.

Neste cenário, o médico cientista desempenha um papel extremamente relevante. Mas o que seria um médico cientista? Existe tal profissão? Por que precisamos ter médicos cientistas? E como é o mercado de trabalho para um médico cientista?

O médico é o profissional da saúde autorizado pelo Estado para exercer a Medicina. Este profissional se ocupa, portanto, da saúde humana e suas ações são amplas que incluem prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, além de promoção da saúde e suporte emocional às pessoas com aflição. Trata-se, assim, de uma profissão com grandes responsabilidades. O pesquisador, por outro lado, é o profissional que faz pesquisa. Pesquisa é um conjunto de ações que são executadas com o objetivo de gerar novo conhecimento em uma determinada área. Faz-se pesquisa quando se quer saber a resposta de uma pergunta qualquer, que pode ser de grande relevância para as pessoas ou somente fruto de uma curiosidade individual.

Pesquisa é uma ferramenta usada também por cientistas. Cientista é o profissional que cria novo conhecimento, assim como o pesquisador, mas isso ocorre sempre ao tentar resolver grandes questões e/ou problemas. Uma maneira de ver as coisas seria dizer que o cientista difere do pesquisador pela aptidão de ver problemas relevantes e fazer boas perguntas em um contexto teórico maior, procurando trazer avanços na maneira com que as pessoas entendem diferentes fenômenos no mundo. Para executar sua função, o cientista deve ter curiosidade, elevado sendo crítico e ceticismo, além de uma boa ideia sobre o conhecimento já existente sobre o assunto de interesse.

O médico cientista é, portanto, um profissional da Medicina que, além de assistir os seus pacientes, trabalha intensamente para gerar conhecimento útil para aprimorar a nossa compreensão a respeito das doenças e de como lidar com elas. Uma notícia não muito boa é que, no mundo inteiro, há uma grande escassez de estudantes interessados em ser médicos cientistas. Uma das razões que explicam esta extinção gradual de médicos cientistas talvez seja a queda dramática do ensino sobre bases da ciência e sua metodologia nas escolas médicas (e não médicas também), mas isso seria assunto para outra discussão.

De maneira interessante, a escassez de médicos cientistas contrasta com a atual necessidade de construção rápida de conhecimento médico que resulte em controle efetivo da pandemia. Na minha opinião, o cenário atual ilustra de maneira contundente a necessidade de investimento na formação de médicos cientistas. É através da geração de conhecimento relevante em Medicina que nós enfrentaremos a pandemia atual e também as futuras.  

 

*Bruno de Bezerril Andrande é professor e coordenador do pilar de Pesquisa Científica e Ciclo Básico do curso de Medicina na UNIFTC

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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