Terça, 21 de Janeiro de 2020 - 10:00

Carreiras UniFTC: De olho nos novos modelos de trabalho

por Alessandra Calheira

Carreiras UniFTC: De olho nos novos modelos de trabalho
Foto: Divulgação

Além da crise econômica que atravessa o país e atinge 12,4 milhões de pessoas segundo dados o IBGE, a população brasileira tenta se adaptar às recentes alterações nos modelos de trabalho e a escassez de vagas de emprego motivadas, em especial, pelos avanços tecnológicos. O cenário que já é desafiador tende a se complexificar mais com utilização exponencial da inteligência artificial em múltiplas plataformas, nos mais diversos setores. Às vésperas de mais uma edição do Fórum de Davos, analistas já apontam que, em 2020, cerca de 2,5 milhões de postos de trabalho serão cortados em todo o mundo. A expectativa é que as mais atingidas sejam pessoas que trabalham em atividades que exigem baixa formação. O certo é que todos que vivem neste planeta, empregados ou não, precisarão, como disse Alvin Toffler, aprender, desaprender e reaprender em um movimento perene, intenso e, quase sempre exaustivo, ao longo de toda a vida. 


Em um contexto como esse é muito importante que as pessoas revejam conceitos até bem pouco tempo tido como inquestionáveis: sucesso e emprego são alguns deles. Com a escassez do emprego e os desafios de se manter empregável, o mercado começa a discutir um termo alternativo ao da empregabilidade. Este novo termo vem sendo chamado de trabalhabilidade e significa a capacidade de utilizar talento para obter renda, independentemente de qualquer vínculo formal. 


Essa mudança no enfoque traz consigo uma grande necessidade de adequação comportamental. Primeiro porque a maior parte das pessoas foram habituadas a obedecer às regras do mercado e a se esforçarem para se manter atuantes e competitivas. Segundo, porque no contexto da trabalhabilidade são as pessoas responsáveis por conduzir as suas trilhas de carreiras optando por ter ou não empregos fixos em tempo integral ou parcial, atuar com projetos, fazer freelances, empreender ou fazer um pouco de cada coisa. O sucesso, quase sempre associado a altos cargos, salários e padrões de consumo passa também a estar associado a tempo livre, propósito e qualidade de vida. E a ideia de empreendedorismo sempre também associado a um perfil empresarial ganha as rodas de conversa e manchetes do noticiário como algo acessível a todos. 


Ter nas nossas mãos a liberdade de escolher o caminho a seguir é sempre tentador. É preciso, entretanto, estar atento aos movimentos que empurram o mercado para determinados caminhos, os interesses da sociedade que nem sempre acompanham o mesmo lado e os nossos desejos individuais que podem e devem pender para um lado ou para o outro. Interessante observar ainda eventuais descaracterizações de algumas dessas funções citadas acima. Em alguns casos o empreendedorismo vem sendo, convenientemente, relacionado a trabalhos informais, de baixa qualificação e grande desvalorização profissional. Compreender claramente cada um desses conceitos é fundamental para estruturar um planejamento de carreira e traçar uma boa estratégia. Mesmo que temporário, complementar ou longevo, a escolha de trabalho consciente é ainda a melhor opção que podemos ter.

 

* Alessandra Calheira é Líder do Setor de Carreiras da Rede FTC
 
* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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