Segunda, 14 de Outubro de 2019 - 11:00

Canonização da Santa dos Pobres é uma convocação para o trabalho pelo social

por Ana Paula Matos

Canonização da Santa dos Pobres é uma convocação para o trabalho pelo social
Foto: Divulgação

O exemplo e a trajetória de vida de Irmã Dulce aumentam a responsabilidade da Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza - SEMPRE na atuação para diminuir as mazelas sociais na terceira maior capital do Brasil. A canonização da Santa Dulce dos Pobres, para nós, é um verdadeiro chamado. É uma convocação para que façamos mais e cada vez melhor.

 

Exemplos para inspiração não faltam. Independentemente de qualquer questão religiosa, a biografia de uma pessoa que fez tanto com tão pouco, que transformou um galinheiro em um hospital referência em todo o país, precisa ser respeitada, enaltecida e venerada.

 

Se atualmente, entre os benefícios socioassistenciais oferecidos pela SEMPRE temos o “auxílio passagem”, o que dizer do testemunho do escritor Paulo Coelho, que revelou ter passado fome e ter sido ajudado por Irmã Dulce a voltar para casa (saindo da Bahia para o Rio de Janeiro)?

 

O que dizer das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), que nasceram no dia 26 de maio de 1959, fruto da trajetória da biografia de amor e da persistência da religiosa que peregrinou durante mais de uma década em busca de um local para abrigar pobres e doentes recolhidos das ruas de Salvador?

 

Pontos de intercessão entre os públicos atendidos pela OSID e pela SEMPRE não faltam. Atualmente, a entidade abriga um dos maiores complexos filantrópicos do país, com cerca de 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano, atendendo idosos, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua, usuários de substâncias psicoativas e crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

 

Enquanto gestora da Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza, me sinto honrada e, ao mesmo tempo, com o peso da responsabilidade por poder estabelecer parcerias com as obras sociais da primeira santa brasileira e atuar no combate à pobreza e acolhimento às pessoas em situação de vulnerabilidade social. A SEMPRE e a OSID trabalharão conjuntamente por políticas públicas inclusivas na primeira capital do Brasil. 

 

Minha relação com Irmã Dulce vai muito além de uma parceria de trabalho. Envolve muita fé e muito respeito à toda a sua obra.  

 

Nas duas vezes em que fui convocada pelo prefeito ACM Neto e pelo vice-prefeito Bruno Reis a assumir a secretaria, fui na capelinha dela, ajoelhei e me entreguei. Pedi ajuda e força para cuidar dos pobres, seguindo o exemplo dado por ela. Pedi inspiração para que as minhas ações fossem conduzidas no sentido de amenizar as desigualdades em uma cidade pobre, majoritariamente negra, e que tem necessidades históricas de reparação.

 

Para quem trabalha com o social, é um norte, uma bússola. É impossível pensar e atuar pelo combate à Pobreza sem ter como inspiração a Bem-Aventurada Santa Dulce dos Pobres. Enquanto Deus e a nossa santa me derem forças, continuaremos trabalhando pelas pessoas que mais precisam na nossa terra, de mãos dadas com as obras sociais do Anjo Bom do Brasil.

 

Me sinto tocada pelo chamado de Irmã Dulce. Chamado esse que deve sensibilizar e convocar todas as esferas de governo e sociedade civil organizada para que, juntos, apartidariamente, possamos fazer mais pelo social e transformar definitivamente a realidade dessa Nação, já abençoada pela Santa dos Pobres.

 

*Ana Paula Matos é secretária municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza de Salvador

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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