Sexta, 28 de Setembro de 2018 - 17:30

A Última Fronteira

por Zilan Costa e Silva

A Última Fronteira
Foto: Acervo pessoal

É um lugar de extremos. De natureza no seu extremo. É lindo. É perigoso. E por tudo isto e muito mais, é um lugar irresistível. É um continente.

 

Ainda podemos dizer que é um continente pouco conhecido; é vasto e vazio.  É solitário.

 

O lugar mais frio do mundo, onde zero grau pode ser considerado uma agradável temperatura amena de verão; é o mais seco de todos os cantos da terra; lá o vento é constante. Lá a vida é uma diária batalha pela sobrevivência, onde seres se fortalecem a cada geração e essas lições são vitais para nós, seres humanos. Ao mesmo tempo esses seres são frágeis e podem ser enormemente afetados pelas mudanças climáticas.

 

É também um lugar cheio de contradições.

 

Lá encontramos setenta por cento de toda a água potável do nosso planeta cobrindo a sua maior área de deserto. Um dos lugares mais limpos e, ao mesmo tempo, um dos mais ameaçados pelo progresso e pela poluição, ameaça esta que poderá ter efeitos globais perversos e dramáticos para a humanidade.

 

Foi lá onde apenas muito recentemente o homem desbravou sua ultima fronteira geográfica, ousando heroicamente penetrar no coração dessa terra inóspita e selvagem, onde muitos exploradores e cientistas sacrificaram e ainda sacrificam muito para abrir esse lugar para a humanidade e para revelar seus segredos. Lá hoje já não se testemunha a façanha, a coragem e a conquista individual dos Scott, dos Schackleton ou dos Amundsen, mas sim a conquista coletiva da ciência; esta mesma ciência que demonstra diariamente que a natureza não é algo garantido e que a humanidade poderá contar para sempre, mas algo que precisa ser cuidado ou correremos o risco de perdê-la. Hoje este lugar é o termômetro da saúde de nosso planeta, onde muito recentemente os cientistas descobriram a redução da camada protetora de ozônio.

 

É um lugar onde a lógica se inverte. Em certo sentido é mesmo um lugar de cabeça para baixo afinal ele está lá embaixo e virado ao contrário. Este lugar é a Antártica.

 

Importantes fatias do território antártico foram reclamadas soberanamente por muitos países e, muito em razão da guerra fria,  acabou por se tornar em  um lugar de pesquisa cientifica internacional onde a comunidade humana convive em um raro experimento de internacionalidade, de comunidade global. Um lugar de todos, portanto.

 

Desde 1982, ou seja, apenas muito recentemente, o Brasil passou a estar presente neste lugar, ressalte-se que muito em razão da luta e perseverança de membros da Marinha do Brasil, como o Capitão de Fragata Luiz Antonio de Carvalho Ferraz.

 

 Assim, coordenado pela Marinha do Brasil, com o apoio da Força Aérea Brasileira e a participação de diversos ministérios é desenvolvido um competente trabalho de pesquisa científica, onde homens e mulheres se sacrificam muito para garantir a participação brasileira no desenvolvimento da ciência e preservação da natureza, mas, sobretudo, garantindo a manutenção do Brasil como parte consultiva do Tratado da Antártica.

 

* Zilan Costa e Silva é advogado

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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