Quinta, 13 de Setembro de 2018 - 17:00

Por que votar?

por Francisco Viana

Por que votar?
Foto: Acervo pessoal

Na Odisséia, no canto XII, Ulisses, o Odisseu,  é obrigado a fazer uma escolha indesejada para seguir sua rota de retorno à Ítaca: ou se aventura a seguir pela rochas ondulantes, por onde nem mesmo os pássaros conseguiam passar, ou leva seu barco pelo estreito onde tinha de uma lado , Cila, um monstro imortal de seis ocabeças e, de outro , Caribide, outro monstro imortal, que tragava as embarcações que o desafiava num redemoinho. Ulysses preferiu seguir pela lado do estreito dominando por Cila: perdeu seis marujos, mas salvou o barco e a vida dos demais tripulantes. 

 

Ulysses, Cila e Caribde são metáforas que se aplicam, à perfeição, nas próximas eleições presidenciais. Como, é certo, muitos eleitores usarão como desculpa para não votar a inexistência de candidatos que os represente, é preciso ter consciência de que não podem ficar inertes e que é melhor fazer escolhas do que não votar. Pois quem vota pode expressar sua vontade e quem não vota deixa de manifestar-se, transferindo para outro a responsabilidade pela sua escolha.

 

Há mais razões. Eleições livres, em todos os níveis, são uma conquista das gerações das décadas de 60, 70 e 80, do século passado, que custou muitas vidas. É um patrimônio democrático que se renova e se amplia a cada eleição direta. Além disso, candidatos ideais para a totalidade dos eleitores jamais existirão (esse o lado Sila de cada eleição) e por isso é preciso votar. Seguir em frente. É isso independe de nomes, partidos ou ideologias. 

 

Às vezes, como o mito de Ulysses, não podemos ser hesitantes. Precisamos fazer escolhas. Agir. Precisamos sonhar, claro que sim. Mas não podemos ser sonhadores ineficazes. Preciso ter em mente algo mais do que candidatos, que são passageiros, e, sim, o exercício do voto que é permanente. E deve, pelo menos em tese, durar para sempre. Esse o acontecimento realmente eficaz e real: temos uma democracia eleitoral consolidada. E é dever de todos votar. É isso que nos ensina a narrativa mitológica da opção do Odisseu Ulysses. 

 

* Francisco Viana é jornalista e doutor em Filosofia Política ( PUC-SP )

 

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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