Quem será o futuro presidente do Brasil?

Lula, Bolsonaro, Marina Silva, Alckmin...? As pesquisas apontam para Lula, mas Bolsonaro tem angariado votos pousando de liberal. E , depois, Lula pode ser impedido de se candidatar, se for condenado em processos na justiça, envolvendo a Lava Jato. Como se pode notar, os impasses são muitos, a visibilidade (quase) nenhuma. 

 

É cedo, portanto, para fazer previsões. Os preferidos dos eleitores podem despencar nas sondagens de preferência de votos. Ou tudo que é sólido não se desmancha no ar? Tudo é perigoso e o Brasil não é aquele país divino maravilhoso que romantizamos um dia. Há muito chão pela frente, muito desafio real a ser enfrentado até o Brasil voltar aos trilhos do crescimento e da pacificação ideológica. Porém, algumas coisas parecem certas. O país tende a rejeitar radicalizações à direita e a esquerda.  Engana-se quem pensar diferente e acreditar em ser uma nova encarnação de Robespierre, à esquerda; o u dos militares da ditadura brasileira, à direita. 

 

O país tende ainda a rechaçar também o discurso ilusionista. Parece estar mais próximo da escola filosófica analítica ( inglesa, com raízes em toda a Europa) que substitui o conteúdo do discurso pela consciência. Ou seja, considera o que dizer parte de uma linguagem mais consistente do que o conhecimento da realidade. Pós-verdade é, igualmente, uma ideia fora do lugar. Se desgastou com Trump e suas trapalhadas.  A rejeição à pos-verdade será um passo à frente. Sem dúvida. A escola da filosofia analítica advoga uma ética prática, um discurso que apresente soluções, uma postura voltada para respostas concret as aos desafios. A pergunta: o que dizer? Não o que posso saber e o que  preciso saber(Kant)? 

 

Em 2018, haverá uma eleição muito diferente daquela que elegeu Dilma Rousseff pela segunda vez. Os problemas do Brasil se agravaram: além da corrupção, que é estrutural, existe a violência, o culto ao direitismo, a discriminação e violência contra a mulher e a devastação intermitente da Amazônia. Um caso emblemático são as ações de intimidação de professores que se propagam pelas universidades, gerando insalubre ambiente de ódio e intolerância quando há confronto com o contradito; o quadro é ainda mais preocupante por força das demissões de professores de universidades privadas, que v&e circ;m viralizando nas redes sociais. 

 

Visto isoladamente ou em conjunto, essa torrente de problemas, que lembram as pragas bíblicas do Egito, mostram que estamos retrocedendo em lugar de avançar. Deixamos de ser o país do futuro para ser o país da trágica democracia de mercado. Democracia antidemocrática ( que surrealista paradoxo) tudo desorganiza, sobretudo a vida do brasileiro. Os candidatos sabem disso? Basta olhar as cabeça coroadas que rolaram prematuramente para se ter um esboço de resposta: Luciano Hulk (o Ulysses tupiniquim que diferentemente do Ulysses homérico) recusou-se a ouvir o canto das sereias e desistiu de ser candidato; e certamente o prefeito de São Paulo, João Doria( eleita para ser prefeito, não candidato a presidente). A verdade é que o Brasil transformou-se numa bomba-relógio e desmonta-lá exige muito mais do que um salvador-da-pátria. Exige um partido estruturado e ideias objetivas. Novidades estão por acontecer. Aguarde-se os próximo capítulos da corrida presidencial. O Brasil, de qualquer ângulo que se avalie) é um país atolado em múltiplas crises que exigem soluções. Não há como escapar a tal imperativo da realidade. Salvo com soluções verdadeiras . 

 

* Francisco Viana é jornalista e doutor em Filosofia Política (PUC-SP)

 

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